Ritmo de produção: Sindicato faz pesquisa com trabalhadores
11/03/2013
O ritmo de produção está mais intenso e as dores no corpo acometem cerca de 100% dos trabalhadores da Seara Alimentos de Forquilhinha. Este foi o resultado de uma pesquisa realizada por meio de questionário aplicado com 500 trabalhadores nos três turnos da empresa nos dias 12 e 13 de março de 2013. São dois mil funcionários na unidade. Entre as questões abordadas, mais de 90% dos trabalhadores revelaram que nas linhas de produção as peças produzidas por minuto estão bem acima dos 3,8 minutos ideais para prevenção das doenças ocupacionais. Em grande parte são 6 peças por minuto, nos demais casos somam de 8 a 18 peças e em algumas situações chegam ao extremo de 20 a 25 peças por minuto. A maioria dos entrevistados afirmou que as pausas de 10 minutos estão sendo cumpridas. Segundo o presidente do SINTIACR, Célio Elias, o resultado não foi nenhuma surpresa para a entidade que recebe todos os dias denúncias de trabalhadores que não aguentam mais usar sua força de trabalhão para perder a saúde e dignidade explorado pelo patrão. “O resultado dessa amostra servirá como mais uma ferramenta de luta do Sindicato para mudar essa triste realidade”, explica Célio. O sindicalista avalia que as cinco pausas de 10 minutos conquistadas pelo sindicato junto à categoria após muita luta ao longo dos anos, deveria colaborar para redução instantânea das reclamações das dores nas mãos, braços, antebraço, ombros entre outros atuando como uma forte ferramenta de prevenção. “ Mas não adianta ter as pausas, se esse tempo de descanso ser compensado com aumento da velocidade das esteiras e norias” adverte. Nas resoluções práticas com os dados da pesquisas será efetuada uma reunião com a direção local da Seara para que seja implantada de forma emergencial a redução no ritmo na produção. O sindicato irá contratar nos próximos dias uma profissional da área para coletar e estudar tecnicamente as informações encaminhadas pelos trabalhadores nessa pesquisa e, ainda diagnosticar os setores da produção com mais trabalhadores adoecendo. Deverá ainda, elaborar um projeto técnico com ações concretas para reduz na “raiz”, essa situação de mutilação. “Produzir Sim, Mutilar não!, conclui”.
