Negociação para redução da jornada não avança e Seara pode parar as atividades
16/04/2010
Assembleia na segunda-feira (19) poderá deliberar greve dos trabalhadores da Seara-Marfrig de Forquilhinha a partir da troca de turno do dia 24. A categoria reivindica redução da jornada das atividades nos sábados de 1h e 50 minutos. Uma parte dessas horas seria compensada durante a semana, de segunda a sexta-feira, com acréscimo de 10 minutos pelos trabalhadores na jornada diária. A negociação abrange ainda os Sindicatos de Jaraguá do Sul (SC) e Sidrolândia (MS). Após várias reuniões com a direção da empresa para negociar a redução da jornada de trabalho nos sábados não houve nenhum avanço. “A empresa alega que esse mínimo benefício aos trabalhadores irá reduzir o lucro, mas por outro lado, ela irá investir milhões como patrocinadora da Seleção Brasileira na Copa do Mundo até 2014, fala indignado o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Criciúma e região, Célio Elias. O sindicalista explica que a diminuição das horas trabalhadas irá contribuir para a redução do alto índice de doenças ocupacionais que atinge os trabalhadores da agroindústrias. Cerca de 300 mil pessoas são afetadas por doenças e acidentes provocados pelo trabalho hoje no Brasil. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, no ano de 2007, foram gastos R$ 10,7 bilhões em benefícios decorrentes de acidentes de trabalho e de atividades insalubres, caracterizando 7,64% a mais do que o total gasto no ano anterior. Ressalta-se ainda que, do total gasto, 47,4% representam o pagamento de auxílios por doença e por acidente, e aposentadorias por acidentes e enfermidades ocupacionais, e os outros 52,3% representam o pagamento a aposentadorias especiais, concedidas devido à exposição do trabalhador a riscos ocupacionais. De acordo com o artigo Balanço dos acidentes, publicado no Anuário Brasileiro de Proteção 2008, o índice de doenças ocupacionais no país saltou de 5.800 registros em 1990 para mais de 27 mil em 2005. A Lesão por Esforço Repetitivo (LER), provocada por movimentos que se repetem ao longo da jornada e pelo ritmo intenso de trabalho, responde por quase 50% dos casos.
