MPT de Caxias do Sul: ação em frigorífico dá resultados
07/07/2010
O inferno frio, por trás das linhas de produção dos frigoríficos na serra gaúcha, começa a esquentar. No final de maio, uma audiência realizada com o frigorífico Chesini constatou que a aplicação de pausas e a implantação do método OCRA no estabelecimento tem surtido efeito. Na ocasião, uma das trabalhadoras do frigorífico afirmou que diminuíra as queixas dos trabalhadores em relação a dores. Foi bem recebida a troca de duas pausas de vinte minutos por turno para seis intervalos menores. Ela também salientou que, raramente, são feitas horas extraordinárias e que o rendimento dos colegas melhorou, consideravelmente, desde o início da experiência.
Estiveram presentes na audiência o procurador do Trabalho do Ministério Público do Trabalho em Caxias do Sul (RS), Ricardo Garcia, o auditor fiscal do Trabalho, Armando Roberto Pascoal, o representante do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de Caxias do Sul, Milton Francisco dos Santos, e o médico analista pericial, Luís Carlos Fujii.De acordo com o procurador do Trabalho Ricardo Garcia, a cada 52 minutos de trabalho, o funcionário tem 8 de descanso. Nesse período, ele pode conversar com os colegas, andar pelos setores, ir ao banheiro sem pedir permissão para o chefe, fumar, o que, segundo o procurador, é um resgate de sua personalidade, uma quebra da monotonia e da impessoalidade. “Diminui a pressão psicológica, o assédio moral que caracteriza as linhas de produção em série e a possibilidade de estresse e depressão. O posto de trabalho, humanizado, deixa de ser um inferno”, enfatiza.
Ricardo ainda afirma que as pausas geram condições para um relacionamento diferente entre trabalhador e chefia. As pausas são um ganho, tanto para o trabalhador, quanto para a empresa, tendo em vista que as faltas ao trabalho reduziram, assim como as idas ao médico. A tendência é de diminuir a rotatividade e o descontentamento no ambiente de trabalho.O procurador não acredita que a atividade laboral em frigoríficos possa ser o ideal de trabalho, no entanto, sublinha que a empresa arrojou-se à atualidade com a adoção definitiva das pausas. O MPT-RS, a SRTE e o frigorífico quebraram o paradigma do setor, que é de adoecimento físico e opressão psicológica. Já reduziu custos, ao reduzir as faltas ao trabalho. Vai aumentar a produtividade e, consequentemente, o lucro. “O posto de trabalho ainda é agressivo e sempre vai ser, mas os operários da Chesini já não vivem no inferno”, conclui.
Fonte: Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul
