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Lições de Zilda Arns

18/01/2010

Por Luciano Martins Costa em 1512010


A morte trágica da médica Zilda Arns Neumann (1934-2010), criadora da Comissão Pastoral da Criança, chama atenção da imprensa para o papel que o Brasil vem desempenhando no Haiti desde 2004.

A estratégia de combinar os confrontos armados contra as gangues que dominavam o país, com o atendimento de necessidades básicas da população, criou uma empatia entre os haitianos e os soldados e voluntários brasileiros.

A presença de Zilda Arns, que indica a estruturação de uma organização humanitária cujo modelo tem sido bem sucedido no Brasil, aponta para uma nova etapa da missão brasileira.

O Brasil entrou no Haiti quando forças militares de grandes potências haviam falhado. Substituiu o policiamento violento e os confrontos pela busca da compreensão sobre como funciona o país, que nunca viveu um período de democracia com estabilidade: dos 42 presidentes que já teve em sua história política, o Haiti viu 30 serem depostos ou assassinados, segundo relatam os jornais.

A "diplomacia do futebol", com a partida amistosa da seleção brasileira contra a seleção haitiana, demonstrou o potencial de aglutinação das ações baseadas no esporte e na aproximação.

Eficiência comprovada

Quando o governo brasileiro fala em "adotar" o Haiti, está apontando para uma relação muito diversa das ocupações colonialistas que marcaram o mundo até o século passado.

Trata-se de uma extensão da diplomacia que já vigora nas fronteiras com nossos vizinhos mais pobres da América do Sul, onde instituições não governamentais financiadas pelo Brasil atuam preventivamente no combate à pobreza e na prevenção de doenças.

Por outro lado, a tragédia aponta para a possibilidade de um novo papel das forças armadas, exatamente quando o Programa Nacional de Direitos Humanos provoca grandes controvérsias com relação à história recente de atrocidades cometidas internamente por representantes do poder militar.

O Brasil que se apresenta ao mundo como um dos líderes do socorro ao Haiti ainda tem muitos problemas a resolver em seu próprio território. Mas mostrou que possui uma receita de eficiência comprovada na ação pastoral liderada por Zilda Arns: ensinar aos desprovidos que eles mesmos podem tomar posse de seus destinos.

 

Fonte: observatoriodaimprensa.com.br
 

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