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Doenças do trabalho: uma ferida sem cura

24/02/2011

Valdirene João Gonçalves da Silva, 40 anos, está aposentada por invalidez. Após 11 anos de trabalho na Seara Alimentos de Forquilhinha, ela teve um de seus braços totalmente comprometido por uma LERDORT adquirida ao longo desse período. Ela, que quando trabalhava chegava a desossar oito sobrecoxas de frango por minuto em jornadas que du¬ravam cerca de 10 horas, foi acometida pela doença em 2005, sendo que desde então, precisa tomar morfina, de quatro em quatro horas, para suportar a dor que é constante. "Desde que adoeci, não vivo mais. Já passei por inúmeros tratamentos médicos, todos dolorosos, mas nenhum deles sanou a minha dor. Hoje sou deficiente e tenho meu braço esquerdo a¬trofiado", lamenta Valdirene, que pagou um preço alto pelo descaso da empresa com as condições de saúde e segurança dos seus funcionários. "A cobrança por produção era alta demais. Se me queixava de dor, era chamada de preguiçosa. Co¬mo precisava do trabalho, chegava ao limite da minha dor para conseguir dar conta do serviço", lembra. Célio Elias, secretário-geral do Sindicato explica que o caso da trabalhadora foi um dos mais agravantes do setor naquele período e sua luta para fazer o tratamento de saúde parou no Ministério Público. “ Tivemos que fazer mobilizações com repercussão nacional na imprensa e acionar a justiça, pois a empresa ainda relutava em reconhecer a doença e os direitos da Valdirene, fato comum na “política” de trato com os trabalhadores e trabalhadoras”.
Doenças no setor – 28 de fevereiro é o Dia Internacional de conscientização sobre a LERDORT. Uma data que lembra os milhares de trabalhadores, vítimas das doenças ocupacionais causadas pela exploração indevida da mão-de-obra em diversas profissões. Nos frigoríficos, são cerca de 800 mil trabalhadores em todo o país atuando no setor. Ele é responsá¬vel por altos índices de adoecimentos entre os trabalhadores. De acordo com dados do INSS, nenhuma atividade econômica gerou mais acidentes e adoeci¬mentos nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás quanto o trabalho em frigorífico nos últimos anos. Segundo o médico do Trabalho Ro¬berto Ruiz, este grande índice adoecimento no setor está ligado à forma de organização do trabalho. “São jornadas diárias de mais de oito horas sem pausa, repetiti¬vidade de movimentos, falta de equipamento de proteção e ritmo intenso de trabalho. A estrutura está errada e enquanto isso ocorrer, nada mudará", afirma Ruiz. Estima-se que o número de movimentos repetitivos feitos pelo trabalhador esteja entre 90 e 120 por minuto e este percentual não deveria exceder o número de 25 a 33 movimentos por minuto para evitar doenças ocupacionais como as LERDORT. Além do ritmo excessivo, eles convivem com variações bruscas de temperatura, umidade e ambientes ruidosos, um risco adicional ao já extenuante trabalho.
O que é LERDORT
Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são doenças dos ossos, músculos e tendões que afetam, principalmente, o pescoço e os braços das pessoas.
Enfermidades mais comuns em razão da LERDORT
* tendinites (inflamações nos tendões);
* epicondilites (inflamações nos cotovelos);
* síndrome do túnel do carpo (inflamação no punho), etc.
Causas do adoecimento
• Movimentos repetitivos;
• Ritmo de trabalho intenso;
• Horas-extras;
• Exigência de produtividade (metas de produção) e qualidade.
Queixas mais comuns
• Dor;
• Sensação de peso e cansaço;
• Inchaço;
• Formigamento e adormecimento;
• Choque;
• Aumento de suor;
• Falta de força nas mãos.
Fonte: www.espaçovital.com.br

Fonte: Revista Proteção

Fonte: ADVT – Criciúma

 


 

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