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Assédio Moral: Violência invisível no mundo do trabalho

23/05/2012

Presente muitas vezes de forma imperceptível no ambiente de trabalho, o assédio moral é um tipo de violência que expõe àss pessoas a·situações ofensivas e humilhantes. De modo lento, porém progressivo, o  assédio moral vai se traduzindo em sofrimento, dor e baixa  produtividade. Os algozes corporativos costumam ser gestoresautoritários, que abusam de seu poder e das situações de fragilidadede seus liderados. Identificar o fenômeno é um primeiro passo paracombatê-lo. Em geral, quando se fala ou se pensa em violência, é inevitável aassociação com atos de agressão física. Violência, nesse sentido, éum ato concreto, visível, público, e que normalmente resulta em um dano palpável, objetivo e observável.
Por outro lado, quando pensamos especificamente em violência noambiente de trabalho, a primeira imagem quevem à mente é a do assédio sexual. Porém, há muito mais a ser considerado sobre a violência nas
 relações de trabalho do que somente a violência que se traduz em abusosexual. Em muitos casos, comuns nas empresas o que senota é uma forma particular de violência, sutil e perniciosa damos a essa forma de violência invisível o nome de assédiomoral. É relevante notar que não se trata de um fenômeno recente, poispersiste ao longo da história das relações de trabalho. Porém, em nossos dias, com o culto do sucesso profissional e o aumento da competição porcargos e vantagens, tal assédio apresenta-se com força redobrada. Porisso, devemos analisar as principais características do fenômeno epropor formas de combatê-lo ou, ao menos, atenuá-lo.  O assédio moral caracteriza-se pela intencionalidade. Consiste na
 constante e deliberada desqualificação da vitima, levando-a a umaposição de fragilidade, com o intuito de neutralizá-la em termos depoder. Trata-se, portanto, de um processo disciplinador, no qual sebusca anular a vontade daquele que, para o agressor, talvez se apresente como ameaça. Assédio moral e competitividade. Uma condição que agrava a intensidadee a natureza do assédio moral é a excessiva competição, relacionada aoprocesso de globalização. Tal situação pode exibir, por vezes, traços paranóicos, projetando-nos outros sua “sombra", ou seja, aquilo que não conseguem aceitar em si mesmos. Vítimas silenciosas. O assédio moral costuma surgir com poucaintensidade. Porém, aos poucos vai se propagando e a vítima passa a ser alvo de um número crescente de humilhações e de brincadeiras demau gosto. As vítimas temem fazer denúncias formais, com medo de retaliações,como mudanças desvantajosas de função e local ou até a demissão. Além disso, denúncias podem tornar pública a humilhação pela qualpassaram, aumentando ainda mais seu sofrimento.Embora seus agressores tentem desqualificá-las, as vítimas nãocostumam ser indivíduos doentes ou frágeis. São pessoas que tomam, de forma consciente ou inconsciente, posições de enfrentamento, algumasvezes questionando privilégios ou situações injustas. Muitas vezes esses agressores são bem vistos por seus chefes devido à sua capacidade de tomar decisões difíceis e polêmicas. Costumam seradmirados por sua eficiência e eficácia, apesar da arrogância com quetratam seus subordinados. Tais gestores comumente possuem traçosnarcisistas e destrutivos. Sentem-se inseguros quanto à sua competência profissional edepressivo se a vítima for um homem, pois enfraquece ainda maissua auto-estima. No caso masculino, tornar pública a humilhaçãoequivale a admitir a impotência diante dos fatos. Ações que as próprias empresas podem tomar; o segundo diz respeito a
uma compreensão mais abrangente das variáveis que determinam ofenômeno.Do ponto de vista das empresas, a criação e a aplicação de códigos  de ética é certamente uma conquista importante, embora não
suficiente. Além de tais códigos, poderiam ser criados mecanismos paradar ao funcionário agredido o direito de denunciar a agressão de quetenha sido vítima, por escrito e sigilosamente. Assim, a vítima
 poderia utilizar caixas postais ou urnas para ter seu anonimatogarantido. Mas é preciso também rever as condições que determinam o exagerado ambiente de competição. Isso representaria um passo efetivo no  processo de humanização do trabalho. Em outras palavras, a discussãodo assédio moral deve levar as pessoas a refletirem sobre a condiçãosistêmica da questão: não se trata de problema individual, mas de um
problema que envolve interações sociais complexas e a conquista de direitos fundamentais.Esses direitos, é conveniente notar, já fazem parte do aparato legalbrasileiro. Porém, a maior dificuldade em relação ao tratamento do assédio moral é justamente sua "invisibilidade" e o alto grau de subjetividade envolvido na questão. A comprovação darelação entre a conseqüência - o sofrimento da vítima - e sua causa -
a agressão -, indis- pensável na esfera criminal, nem sempre éaparente, na medida em que tais humilhações são perpetra- das.  No entanto, apesar dessas dificuldades, esforços vêm sendo realizados sem diversos países, inclusive no Brasil, para tornar a prática doassédio moral passível de pena. Mais do que a lei, no entanto, é preciso criar a consciência geral de transparência, contribuindo paraque o ambiente de trabalho seja saudável e adequado ao desenvolvimento de todas as potencialidades dos indivíduos.

Roberto Heloani
Prof. do Departamento de Administração da Produção e Operações da
 FGV-EAESP Prof.Titular - Pós- Doutor e livre-docente na Unicamp

 

Presente muitas vezes de forma imperceptível no ambiente de trabalho, o assédio moral é um tipo de violência que expõe àss pessoas a·situações ofensivas e humilhantes. De modo lento, porém progressivo, o  assédio moral vai se traduzindo em sofrimento, dor e baixa  produtividade. Os algozes corporativos costumam ser gestoresautoritários, que abusam de seu poder e das situações de fragilidadede seus liderados. Identificar o fenômeno é um primeiro passo paracombatê-lo. Em geral, quando se fala ou se pensa em violência, é inevitável aassociação com atos de agressão física. Violência, nesse sentido, éum ato concreto, visível, público, e que normalmente resulta em um dano palpável, objetivo e observável.
Por outro lado, quando pensamos especificamente em violência noambiente de trabalho, a primeira imagem quevem à mente é a do assédio sexual. Porém, há muito mais a ser considerado sobre a violência nas
 relações de trabalho do que somente a violência que se traduz em abusosexual. Em muitos casos, comuns nas empresas o que senota é uma forma particular de violência, sutil e perniciosa damos a essa forma de violência invisível o nome de assédiomoral. É relevante notar que não se trata de um fenômeno recente, poispersiste ao longo da história das relações de trabalho. Porém, em nossos dias, com o culto do sucesso profissional e o aumento da competição porcargos e vantagens, tal assédio apresenta-se com força redobrada. Porisso, devemos analisar as principais características do fenômeno epropor formas de combatê-lo ou, ao menos, atenuá-lo.  O assédio moral caracteriza-se pela intencionalidade. Consiste na
 constante e deliberada desqualificação da vitima, levando-a a umaposição de fragilidade, com o intuito de neutralizá-la em termos depoder. Trata-se, portanto, de um processo disciplinador, no qual sebusca anular a vontade daquele que, para o agressor, talvez se apresente como ameaça. Assédio moral e competitividade. Uma condição que agrava a intensidadee a natureza do assédio moral é a excessiva competição, relacionada aoprocesso de globalização. Tal situação pode exibir, por vezes, traços paranóicos, projetando-nos outros sua “sombra", ou seja, aquilo que não conseguem aceitar em si mesmos. Vítimas silenciosas. O assédio moral costuma surgir com poucaintensidade. Porém, aos poucos vai se propagando e a vítima passa a ser alvo de um número crescente de humilhações e de brincadeiras demau gosto. As vítimas temem fazer denúncias formais, com medo de retaliações,como mudanças desvantajosas de função e local ou até a demissão. Além disso, denúncias podem tornar pública a humilhação pela qualpassaram, aumentando ainda mais seu sofrimento.Embora seus agressores tentem desqualificá-las, as vítimas nãocostumam ser indivíduos doentes ou frágeis. São pessoas que tomam, de forma consciente ou inconsciente, posições de enfrentamento, algumasvezes questionando privilégios ou situações injustas. Muitas vezes esses agressores são bem vistos por seus chefes devido à sua capacidade de tomar decisões difíceis e polêmicas. Costumam seradmirados por sua eficiência e eficácia, apesar da arrogância com quetratam seus subordinados. Tais gestores comumente possuem traçosnarcisistas e destrutivos. Sentem-se inseguros quanto à sua competência profissional edepressivo se a vítima for um homem, pois enfraquece ainda maissua auto-estima. No caso masculino, tornar pública a humilhaçãoequivale a admitir a impotência diante dos fatos. Ações que as próprias empresas podem tomar; o segundo diz respeito a
uma compreensão mais abrangente das variáveis que determinam ofenômeno.Do ponto de vista das empresas, a criação e a aplicação de códigos  de ética é certamente uma conquista importante, embora não
suficiente. Além de tais códigos, poderiam ser criados mecanismos paradar ao funcionário agredido o direito de denunciar a agressão de quetenha sido vítima, por escrito e sigilosamente. Assim, a vítima
 poderia utilizar caixas postais ou urnas para ter seu anonimatogarantido. Mas é preciso também rever as condições que determinam o exagerado ambiente de competição. Isso representaria um passo efetivo no  processo de humanização do trabalho. Em outras palavras, a discussãodo assédio moral deve levar as pessoas a refletirem sobre a condiçãosistêmica da questão: não se trata de problema individual, mas de um
problema que envolve interações sociais complexas e a conquista de direitos fundamentais.Esses direitos, é conveniente notar, já fazem parte do aparato legalbrasileiro. Porém, a maior dificuldade em relação ao tratamento do assédio moral é justamente sua "invisibilidade" e o alto grau de subjetividade envolvido na questão. A comprovação darelação entre a conseqüência - o sofrimento da vítima - e sua causa -
a agressão -, indis- pensável na esfera criminal, nem sempre éaparente, na medida em que tais humilhações são perpetra- das.  No entanto, apesar dessas dificuldades, esforços vêm sendo realizados sem diversos países, inclusive no Brasil, para tornar a prática doassédio moral passível de pena. Mais do que a lei, no entanto, é preciso criar a consciência geral de transparência, contribuindo paraque o ambiente de trabalho seja saudável e adequado ao desenvolvimento de todas as potencialidades dos indivíduos.

Roberto Heloani
Prof. do Departamento de Administração da Produção e Operações da
 FGV-EAESP Prof.Titular - Pós- Doutor e livre-docente na Unicamp

 

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