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29/04/2014

Viva o 1º de maio!

A pergunta mais comum feita aos sindicalistas por ocasião do Dia do Trabalhador é se ele tem o que comemorar nesse dia. Quero responder a esta questão chamando a atenção do leitor para o fato referenciador da criação do 1º de Maio: operários de Chicago em 1886 fazem uma grande greve lutando por uma jornada de trabalho de 8 horas diárias. Atente o leitor, nesse mesmo ano no Brasil a escravidão ainda era oficialmente/legalmente/institucionalmente admitida e a luta pelo direito à liberdade movia boa parte dos trabalhadores brasileiros. Na Europa e nos Estados Unidos as lutas operárias além da redução da jornada de trabalho reivindicavam melhores salários, proteção social ao trabalhador doente/acidentado ou que não pudesse mais trabalhar, contra o trabalho infantil pelo voto universal. Com olhos atentos ao cenário internacional e brasileiro, respondo sem nenhum medo de ser questionado: os trabalhadores e trabalhadoras têm sim o que comemorar em 2014. Negar os avanços nas relações de trabalho e até mesmo nas relações políticas é negar a luta e o sacrifício dos que existiram antes de nós. A classe trabalhadora (brasileira e mundial) deve muito a esses pioneiros por entregarem as suas vidas com a consciência de que resistir e lutar era construir um mundo melhor. Falar apenas do que falta e das agruras da vida do trabalhador do século 21 significa ignorar que herdamos inúmeros direitos conquistados com o sangue de muitos (as) operários (as). Mas além de lembrarmos e de reverenciarmos esses lutadores anônimos devemos refletir qual mundo do trabalho queremos deixar para os que virão depois de nós. Na atualidade o discurso empresarial da competitividade está na boca de todos os economistas e administradores. Os direitos trabalhistas garantidos em leis passaram a ser vistos como um retrocesso brasileiro. Para os trabalhadores o retrocesso é ficar apenas com o que se tem. O Brasil é o país da concentração de renda e ampliar os direitos dos seus trabalhadores é a forma mais segura e mais rápida de se dividir melhor a riqueza produzida. A redução da jornada de trabalho sem redução de salário e a adoção da Convenção 158 da OIT são um bom começo. Nossos filhos e netos com certeza agradecerão o empenho da atual geração de trabalhadores para que essas pautas tornem-se realidade. Edegar Generoso – Diretor do Sindicato dos Bancários de Criciúma e região / Formador do Coletivo de Formação da CUT SC

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