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09/12/2013

PORQUE ESTAMOS NO MÊS DO NATAL

Se você acredita nas magias do Natal, quem sabe, depois de ler este artigo, você conclua que a Paz e a Felicidade estão mais próximas do que pensamos? Muitas coisas mágicas acontecem porque estamos no mês do Natal. Talvez essas coisas mágicas não aconteçam com todo mundo. Nem mesmo sei se acontecem com muitas ou com poucas pessoas. Mas acontecem com algumas.- não que estas sejam melhores que ninguém. Apenas são mais perceptivas a algumas sutis mudanças que ocorrem no ar, no humor e no amor das pessoas - só porque estamos no mês de Natal. Uma mudança visível, por exemplo, no mês do Natal, é que as pessoas sorriem mais. Tornam-se mais tolerantes, mais pacientes. Algumas ficam mais otimistas. Outras ficam mais criativas para acompanhar o otimismo daquelas, ainda que não tenham boas razões para serem otimistas. As ruas e os shoppings ficam apinhados de gente que anda de um lado para o outro, de forma deliciosamente barulhenta. Os sons, a confusão e as algazarras de dezembro fazem parte do cenário natalino. Até o trânsito congestionado faz parte. Nas empresas, essas mudanças também acontecem, porque estamos no mês do Natal. Planejam-se almoços, jantares, encontros de confraternização, festas de "amigo secreto", concursos, brincadeiras, distribuição de brinquedos e cestas - sempre com a risonha presença do Papai Noel, mesmo com a barba fora do lugar e um leve hálito de cerveja. E as magias do Natal nas empresas não param por aí: os chefes "durões" relaxam, os "bonzinhos" se derretem, os racionais contemplam tudo com um olhar condescendente de superior compreensão, os atrasos são tolerados, as faltas são abonadas... Porque estamos no mês de Natal, as portarias das empresas se enchem de brindes e presentes de fornecedores e clientes. Algumas Normas internas tentam proibir essa prática, mas o máximo que conseguem é fazer os brindes e presentes irem parar em outras portarias residenciais. Porque estamos no mês de Natal todas as equipes de trabalho transformam-se pra valer em equipes de alta performance. Nunca a integração, a sintonia e a harmonia são maiores e mais produtivas que no mês de Natal. Isso é fácil de perceber nos alegres encontros dos colegas nos corredores e nas cristalinas gargalhadas nos refeitórios e mesmo no local de trabalho. Porque estamos no mês de Natal, mágoas e ressentimentos são arquivados. Aquele aumento que não veio, aquela promoção que não saiu, aquela ofensa, aquele constrangimento, aquela discussão...tudo isso passa batido porque estamos no mês do Natal. E depois, para coroar as festividades, há o inevitável discurso reafirmando que as pessoas são o maior patrimônio das empresas. E assim todos continuam vivendo felizes para todo o sempre - enquanto durar o mês de dezembro. Querem saber o que eu realmente gostaria que acontecesse? Que ocorressem de fato as mudanças às quais me referi neste artigo. Mas que elas fossem tão duradouras quanto a esperança dos puros de coração, e que, doravante, eu pudesse escrever, a cada mês, mais onze artigos iguaizinhos a este, mudando apenas o nome do mês no título. E que eu pudesse começar o texto de cada um dos artigos desta maneira: "Muitas mágicas acontecem..." : -Porque estamos no mês da Confraternização Universal... -Porque estamos no mês do Carnaval... -Porque estamos no mês da Semana Santa... -Porque estamos no mês da Páscoa... -Porque estamos no mês do Dia das Mães... -Porque estamos no mês do Corpus Christi... -Porque estamos no mês das Férias... -Porque estamos no mês do Dia dos Pais... -Porque estamos no mês da Independência do Brasil... -Porque estamos no mês do Dia das Crianças... -Porque estamos no mês da Proclamação da República..." e aí recomeçaríamos nossa contínua maratona de fé, esperança e otimismo, porque teria chegado novamente o mês de dezembro, o mês do Natal. Outra alternativa seria decretar que, daqui para a frente, o ano inteiro seria constituído por um único mês, composto de 365 dias, chamado dezembro... Será sonhar demais supor que a Paz e a Felicidade poderiam ser conseguidas simplesmente extinguindo-se o nome dos meses ou transformando-os em um só? Ora, não me levem a sério. Esta pergunta faz parte da magia do Natal. E como toda magia, é só para sonhar com ela. Floriano Serra é psicólogo, Diretor de Recursos Humanos e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica, fundador e diretor-presidente do IPAT -Instituto Paulista de Análise Transacional e da SOMMA4 Desenvolvimento Pessoal e Organizacional. É palestrante e autor de mais de uma dezena de livros sobre o comportamento humano (o mais recente é O gerente que veio do céu) e escreve artigos para diversos jornais, revistas e sites de RH.

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